quinta-feira, 9 de julho de 2009

पोर्कुए nãओ तेंहो cães

Cruzei-me com Nuno Paixão há mais de 10 anos.
Na altura, ambos imberbes. Eu a desbravar terreno no campo das palavras. Ele, seguramente, à caça de um lugar ao sol no mundo animal.
Cheguei até ele porque me indicaram ser psicólogo de bichos. E dos encartados, leia-se veterinário formado. Achei que valeria a pena ouvi-lo. E perceber como se faz psicanálise a um cão. Que aconselhamentos? E a quem? Ao canídeo ou ao respectivo dono? Sendo que me cheirou que a psicose tinha mais a ver com o animal de duas pernas, com reflexos inevitáveis no fiel amigo.
Eis que volvidos estes anos todos, me cruzo constantemente na televisão com o já nada imberbe veterinário. Com propriedade, o Dr. Nuno Paixão, lá vai dando dicas em tudo o que é programa sobre os chamados irracionais.
Em jeito de “conta-me como foi”, aqui fica a entrada da entrevista que lhe fiz. Para o bem ou para o mal, foi, pelo menos, determinante na minha opção de não os ter por companhia…
A liga protectora, certamente, agradece a minha decisão.

"Deprimido como um cão
Por gostarmos tanto dele resgatamo-lo da ninhada e levamo-lo para casa. Mesmo que o nosso apartamento seja minúsculo.
Por ser tão pequenino e gostarmos tanto dele, não resistimos a acolhê-lo, mesmo que venha a ser maior e mais possante que nós.
Por ser tão querido, nem hesitamos, mesmo que nada saibamos acerca da sua personalidade.
Por gostarmos tanto dele e não concebermos puni-lo, fechamo-lo na varanda para que não destrua os nossos bens mais preciosos.
Por gostarmos tanto dele tratamo-lo como se fosse um filho. Damos-lhe banho, vestimo-lo, levamo-lo à rua, cinco minutos, damos-lhe mimo e beijinhos. Até decidirmos ter os nossos próprios filhos, até que o amor paternal nos force a despedirmo-nos dele. A bem das nossas crianças, claro. Então, procuramos-lhe um novo lar, novos donos, enfim... qualquer coisa. Não sem antes lhe jurar que iremos visitá-lo... de vez em quando, por gostarmos tanto dele.
Este é um dos cenários por onde passam muitos dos cães que sofrem de depressão e stress. Por terem sido tão amados dói-lhes mais o abandono, a solidão, a clausura. Por terem sido elevados à condição de "humanos", quando devolvidos à sua laia perdem o tino e a noção do que é ser simplesmente cão...

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