Tenho um amigo doente. Cancro.
Logo ele, tão exemplar no estilo de vida, nos cuidados com o corpo e a mente. Mas consta que a doença não escolhe hospedeiro e ataca às cegas.
Tenho para mim que, neste caso, o cancro é tudo menos cego e escolheu a vítima com as melhores referências. Optimista e de espírito audaz, este meu amigo transpira da pela uma alegria de viver contagiante.
Magnífico contador de histórias, pelava-me pelas conversas que, quase sempre, encetávamos sem nexo mas que acabavam sempre em profundas reflexões filosóficas.
Foi com ele que aprendi a brincar com as palavras. Foi com ele que aprendi a confiar mais nas minhas certezas. Um dia disse-me que eu era um pássaro que ainda não arriscara voar por falta de confiança e medo da queda: “VOA! VOA! Não vês que tens asas? E das grandes.”
Obrigada pelo empurrão quando me sentia à beira de um abismo, estática pelo medo de arriscar. Obrigada pelas corridas de cadeiras que fazíamos em que eu, invariavelmente, te ganhava. Apenas porque era mais leve. Porque o espírito ganhador sempre foi mais teu que meu.
Hoje sou eu quem te diz: “Não vês que tens asas? Voa! Voa! Com a convicção que vais vencer.”
Eu cá te espero, para mais uma corrida, sendo que agora, por seres mais leve, terás mais hipóteses de me ganhar.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
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