Resisti tanto quanto consegui.
Ao longo dos anos fui vendo familiares, amigos, conhecidos e outros, construirem online autênticos tratados de alma, alguns com qualidade e interesse, outros apenas reflexo de quem nada mais tem para fazer na vida que passar horas frente a um computador a botar prosa.
Assisti no mini ecrã a casamentos, lua-de-mel (com mais ou menos pormenores, alguns escusados, é bom que se diga), nascimentos, declarações de ódio, rompimentos afectivos. Tomei conhecimento, à distância, dos dramas emocionais de tanta gente que julgava próxima, mas que prefere desabafar publicamente os achaques a procurar aquilo que antigamente chamavamos de "ombro amigo".
É verdade! Reconheço, humildemente, que os conceitos de amizade, amor, realização profissional, são muito mais fáceis de colocar numa página da net (mesmo que sob a designação de "página pessoal") do que manifestados pele na pele, cara a cara com quem nos é mais chegado.
Fui alvo de críticas. Chamaram-me "velha do restelo" por me recusar a entrar neste ciclo comunicacional. Não que seja conservadora ou tenha algo contra as novas tecnologias. Antes pelo contrário. Como jornalista que sou há mais de 15 anos, fui vendo, com alegria, as máquinas de escrever serem substituídas por computadores gigantes e lentos, assisti ao declínio do telex e das redacções inundadas de gente ao telefone, a única forma de contacto com o exterior. E apaudi, com convicção, o maravilhoso mundo da internet, sobretudo, porque a nível profissional me veio trazer algum conforto. Agora o mundo vem ter à minha secretária, dispensando as minhas investidas presenciais. Mas, note-se, não entendi este avanço como a 8ª maravilha do mundo, já que comprometeu um certo estilo de vida que sempre me realizou. Nada como não saber se amanhã estaremos em Lisboa ou teremos que viajar para um qualquer país distante, apenas porque rebentou uma bomba noticiosa. Também comecei a ter uma lista de contactos gigantesca, sem que tenha possibilidade de associar os números às caras das pessoas a quem pertencem. No fundo, hoje em dia, conheço os telefones de meio mundo. É triste. Morreu um bocadinho a imagem sedutora, enigmática que envolvia os profissionais das palavras de antigamente. Ganharam-se outras coisas, certamente.
E porque não quero que um dia os filhos que hei-de ter apenas conheçam em papel a humilde obra que deixarei, anuí a entrar no jogo. Sem grandes rasgos de criatividade gráfica. Sem vídeos e links, sem fotos, sem facebook. Apenas um sítio. Simples, escorreito, onde eu possa, de vez em quando e à falta de um ombro amigo disponível no momento, despejar o que me vai ocorrendo. De bom e de mau. Se calhar, mais de mau, já que nao há nada que me faça gastar mais latim que a indignação e o ridículo (meu e dos outros. Ok, mais dos outros!).
Estou a ser ridícula? Não me digam. Não quero saber. Ou melhor, quero! Mas façam o favor de não mo dizerem desta forma. Se for absolutamente imperioso atacarem-me, eu aceito o repto. Mas primeiro peçam-me, por aqui, um contacto. Se entender que vale a pena, garanto que dou. Porque, para o bem e para o mal, gosto mais de ouvir o que as pessoas tem para dizer. Ouvir com os olhos.
Sempre se convive...
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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Apostámos, lembras-te? Eu sabia que mais cedo ou mais tarde acabarias por te render. Deves-me, portanto, um jantar!!!
ResponderEliminarf.
De Manel, Pia e de cheiro a maresia se faz uma Maria, que, simplesmente, não vai com as outras, mas iria?
ResponderEliminarDedicava-se-lhe poesia, e ela ria.
Não vou nessa, Vanessa!
As outras iam e ela ficava, mas iria, só, pelo caminho que sabia.
Sabia, sabia, mas era Maria, e por isso respirava e sustia, respirava e sustia.
Fazia, fazia, era a Maria, com a simplesmente grafia, e que detestava o dia, o dia de toda a mania, a fobia, a monotonia, a paz da harmonia que emergia do canto de uma cotovia, mais prosaicamente, do canto de uma moradia.
D